Destaque >> Saúde do trabalho, costureiras e mulher no mundo do trabalho são temas abordados na Expo Proteção


Após abertura oficial da Feira, Fundacentro realiza palestras com temas diversos em SST

Por ACS/Débora Maria Santos em 18/08/2017
Fotos: ACS/Débora Maria Santos

Após o descerramento da fita de abertura da 7ª Feira Internacional de Saúde e Segurança no Trabalho da Expo Proteção 2017, no dia 16 de agosto, a Fundacentro ofereceu ao público composto por especialistas, profissionais e estudantes da área de SST, um leque de palestras sobre saúde do trabalho e meio ambiente, ergonomia nos postos das costureiras, e mulher no mundo do trabalho.

O diretor Técnico da Fundacentro, Robson Spinelli Gomes, discorre sobre “Saúde do trabalhador e meio ambiente”. Robson destaca que tanto o trabalhador quanto o empregador precisam estar preparados para perceber os possíveis riscos existentes nos ambientes de trabalho.

Comenta sobre as normas regulamentadoras existentes e a sua importância. Informou ainda que as NR´s são especificamente destinadas aos auditores fiscais que farão com que as empresas cumpram as determinações legais de seu texto. No entanto, as normas colocam as exigências mínimas de SST.

“É necessário que os empregadores e trabalhadores adotem também outras normas e legislações relacionadas à SST. O processo de trabalho tem que ser analisado sob o aspecto da prevenção de acidentes”, informa.

Com relação ao meio ambiente, Spinelli salienta que o processo de trabalho interage com o meio ambiente e vice-versa. Diante disso, explica que os agentes biológicos são invisíveis e podem ser levados às casas dos trabalhadores. Isto porque os riscos biológicos ocorrem quando o microorganismo entra em contato com o homem e pode provocar diversas doenças.

Cita como exemplos, área hospitalar e os trabalhos desenvolvidos pelos coletores de lixo. Neste último, faz uma alerta para que a população tenha cuidado ao descartar o lixo de forma imprópria. Salienta o trabalho da pesquisadora da Fundacentro, Tereza Luiza Ferreira Santos, que estava presente na sala de palestra, a qual estudou e publicou temas sobre os coletores de lixo.

Para o diretor técnico e físico nuclear, a cultura de prevenção é fundamental, sobretudo no ensino básico. Sobre isso, a Coordenação de Educação (CEd) da Fundacentro, de acordo com a Lei Federal nº 12.645 de 16 de maio de 2012, que instituiu o dia “10 de Outubro como o Dia Nacional da Segurança e Saúde nas Escolas”, vem desenvolvendo atividades e difundindo conhecimento em SST.
Robson também fala sobre a norma regulamentadora nº 5, que trata sobre a questão da Comissão de Interna de Prevenção de Acidentes. “A Cipa é fundamental para prevenir acidentes e doenças decorrentes do trabalho. O trabalhador, por sua vez, precisa estar inserido nas discussões para tornar o ambiente saudável e, sobretudo, assegurar e preservar a integridade física e a saúde dos trabalhadores”, frisa.

Comenta também que o programa de prevenção de riscos ambientais (PPRA – NR nº 09) e o programa de controle médico de saúde ocupacional (PCMSO – NR nº 07) não podem ficar somente no papel. Para ele, é imprescindível que o trabalhador saiba também sobre as duas normas.

Uso do celular
Spinelli comenta que atualmente o aparelho celular tem sido utilizado como ferramenta de trabalho, mas é preciso cautela ao utilizá-lo, principalmente os trabalhadores que executam atividades que precisam de muita atenção. Como exemplo citou os trabalhadores que executam trabalho em altura que pode envolver risco ao trabalhador, ou seja, uma distração pode provocar acidentes fatais.

Outra preocupação de Robson está ligada a radiação de ondas eletromagnéticas que podem afetar o cérebro, coração e sistema hormonal. Além disso, informa que o efeito térmico sentido pontualmente na orelha é responsável por provocar aquecimento da massa encefálica.

“Cada vez mais crianças têm aparelhos celulares. O aquecimento em um adulto a porcentagem chega a 20% do comprometimento, já em crianças é de 70%. Quanto mais jovem utilizar o celular, maior será o dano”, frisa o diretor técnico. Completa que existem estudos relacionados com o celular e doenças.

Ergonomia nos postos de trabalho das costureiras
Dando sequência ao dia, por meio de imagens, o ergonomista da Fundacentro, Ricardo Serrano, mostra os ambientes de trabalho das costureiras. As imagens mostradas por meio de slides eram de estação de trabalho totalmente desfavorável à saúde das costureiras de jeans.

Serrano desde 2002, juntamente com o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Calçados de Birigui, desenvolveu uma análise ergonômica de postos de trabalho das indústrias do Setor de calçados representados pelo Sindicato, para propor cadeira, tampos de máquinas e mesa para as auxiliares de produção ergonomicamente corretas para as trabalhadoras. Segundo o pesquisador, as costureiras passam em média de seis a sete horas sentadas no posto de trabalho.

“Utilizei um contador de cronômetro para saber o tempo que as costureiras levavam para produzir cada peça. Na fase de acabamento, em média, cada peça era produzida em 1 minuto e 35 segundos, sendo que a costureira fazia
52 movimentos repetitivos”, salienta Ricardo.
Frisa que a má postura devido a bancos improvisados, como também dispersão de partículas de linha no ar e temperatura elevada com o uso de máquinas obsoletas fomentavam o aumento de afastamentos por problemas de saúde dos trabalhadores

O ergonomista informa que o projeto inicial desenvolvido para esses ambientes de trabalho e a implantação de mobiliários adequados fez com que diminuísse em em 60% os afastamentos por problemas de coluna e, consequentemente, também diminuiu o índice de afastamentos relacionados à distúrbios músculos-esqueléticos  das costureiras.

"Destaco a importância de se investir em melhorias ergonômicas nos postos e nas condições de trabalho para neutralizar as afecções e afastamentos que ocorrem dentro das fábricas", discorre o ergonomista. Além das lesões por esforços repetitivos, as costureiras sofrem com problemas na coluna.

Por meio da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Setor Têxtil, Couro e Calçados (Conaccovest), o projeto ganhou repercussão nacional e, hoje, a parceria continua com discussões para outros setores em que as costureiras estão inseridas.

Desenvolvimento do Protótipo
Para fomentar o projeto em prol da saúde e segurança das costureiras, o ergonomista salienta que o protótipo foi desenvolvido com embasamento da Nota Técnica 060/2001 da Comissão Nacional de Ergonomia, NR-12 e a NR-17. Além de tampões de máquina, da cadeira ergonômica; mesa de estação de trabalho com barra de apoio para os pés também foram implantadas. Bem como, inovações de designer de pedal de máquinas, mesas auxiliares e iluminação de LED para máquinas de costura, os quais foram implantados em alguns setores da indústria de confecções a nível nacional. A Fundacentro tem quatro patentes de design industrial concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

"Para quem quiser conhecer a CONACCOVEST montou uma Oficina Modelo que fica localizado no Bom Retiro  na sede do Sindicato das Costureiras de São Paulo e Osasco. Lá foi projetado “ inLoco¨ um espaço com os protótipos desenvolvidos pela Fundacentro, em parceria com a Connacovest", finaliza Serrano.

Papel da mulher no mundo do trabalho
De acordo com dados da Organização do Trabalho (OIT), mesmo com alguns avanços no mundo, a desigualdade no mundo do trabalho acomete milhões de mulheres. "O empoderamento da mulher vem crescendo. É importante observar que a jornada da mulher não é única, muitas mulheres têm dupla e tripla jornada durante o dia", enaltece Leonice.

Sobre isso, o estudo Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em 2015, coloca que historicamente as mulheres trabalham em média 7,5 horas a mais que os homens por semana. Geralmente, a mulher é responsável por cuidar dos afazeres domésticos e dos filhos.

Completa que mesmo com maior escolaridade, a desigualdade da mulher em cargos de chefia e, sobretudo, na política, ainda é maior. Para Leonice, o empoderamento da mulher tem o sentido de garantir a equidade de gênero no que tange as atividades sociais e econômicas.

Durante a sua apresentação, mais em forma de bate-papo, a presidente destaca a questão do preconceito entre mulheres. "Muitas vezes o preconceito de não colocar em cargo de chefia parte de outra mulher", salienta Paz.

Com relação à participação da mulher na política, Leonice é enfática em relatar que o porcentual é baixo. A presença feminina na vida política, de acordo com o ranking da União Interparlamentar, o Brasil ocupa o 154º lugar, dos 193 países. Neste caso, fica atrás apenas de Belize (183º) e do Haiti (187º).

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres ocupam 37% dos cargos de direção e gerência, já os homens, 63%. Na mesma proporção engloba a Administração Pública, onde os cargos destinados às mulheres são de 39,7% são. Os homens ocupam 60,3% dos cargos e com salários mais altos.

No Legislativo, o número é ainda mais expressivo, onde apenas 9,9% das mulheres compõem a Câmara dos Deputados, com 90,1% são destinados aos homens. No Senado não é diferente, 16% são ocupados por mulheres, já os homens ocupam 84% dos cargos.

"É fundamental ampliar as políticas públicas para assegurar a questão feminina. O primeiro passo é começar dentro de nós um olhar voltado para a mulher. A causa da mulher é uma causa da Fundacentro", salienta Leonice. A presidente tem um olhar especial pelo tema e pretende fomentar a discussão sobre o empoderamento feminino dentro da instituição.

Em pleno século 21, a violência contra a mulher ainda é um tema delicado. Violência contra a mulher englobam atitudes de discriminação, agressão, constrangimento, sofrimento físico e psicológico, sexual, moral, social, econômico e político. Segundo o Instituto Perseu Abramo, a cada 15 segundos uma mulher é vítima de violência no País.

Durante a realização das palestras, a chefe do Setor de Eventos da Fundacentro, Claudia Cecília Marchiano, e as organizadoras Larissa Marchini Dutra e Patrícia Regina Silva atenderam ao público com informações sobre os serviços da instituição, distribuindo publicações e cadastrando os interessados nas palestras.

"Poder divulgar os serviços, distribuir publicações e, sobretudo, trazer o corpo técnico para proferir palestras sobre diversos temas de SST, é fundamental e vai ao encontro da missão da Fundacentro. Além disso, é um instrumento de comunicação e interatividade entre a Fundacentro e o público composto por estudantes, especialistas, engenheiros, médicos, sindicalistas e demais interessados no tema”, salienta Claudia.

   

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