Espaço Mulher >> Comportamento: Novela e a vida real

Para onde estamos caminhando?

ASSIM CAMINHAMOS

Gostaria de falar sobre um assunto que já faz algum tempo vem me deixando intrigada. Trata-se de algumas cenas da novela A Favorita da TV Globo, que com certeza tem audiência em boa parte dos lares.

Às vezes, novela também serve para nos fazer refletir sobre tabus e preconceitos. Falo a respeito da personagem Dedina, que por duas vezes traiu o marido e foi punida com a indigência e agora com a morte por uma doença incurável.

Não culpo a novela pela abordagem, que embora seja ficção, não deixa de abordar temas da vida real e trazer a tona a maneira de pensar das pessoas. Muito menos estou de acordo com a traição praticada, seja ela de que natureza for. Cabe ao casal resolver sem violência, a questão tão delicada e íntima.

Agora, o que mais me assusta é ver as pessoas, sobretudo mulheres, achando bem feito e até mesmo vibrando com o final triste da infeliz personagem. Afinal, em que mundo vivemos? No Afeganistão, onde mulheres adúlteras podem ser legalmente apedrejadas em praça pública? E pensar que todos nós, todos temos telhado de vidro. E mesmo assim não perdemos o hábito de atirar pedras no telhado alheio.

O próprio Cristo disse, há dois mil anos atrás: "aquele que não tem pecado que atire a primeira pedra"; mas ainda hoje insistimos neste lamentável hábito.

Algumas cenas da novela me causaram tristeza, mas mais tristeza me causa a vida real, onde muitos homens e mulheres demonstram que o machismo, a intolerância e a violência estão mais vivos do que nunca, fazendo com que leis como a "Maria da Penha" sejam ainda tão necessárias.

Que pena que as coisas ainda tenham que ser assim, mas nunca é tarde e tenho plena certeza de que a humanidade está em constante evolução. E acreditando nisso, espero que homens e mulheres encontrem ao final a paz, o respeito e a dignidade tão desejadas.

Drª Glaucia Pereira Campos Mendes de Almeida
Psicóloga do sindicato

   

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